Eugénio de Andrade
Poema XVIII
Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.
Eugénio de Andrade
3 Comments:
Liiiinnddooooo!!!
Ontem faria anos o meu amor e ídolo poético:
Fernando Pessoa
A vista que oferece o escritorio onde vim parar e inegavelmente fantastica. A escassos metros do Tanganica olho para baixo e vejo agua de um azul profundo que nos envolve. Adiante, as montanhas do Congo que, perdoem o cliche a natureza, reflecte quase perfeitamente a sua imagem ao Lago, estejam as aguas calmas e o ceu limpo como os que vejo esta manha.
`A distancia de um campo de futebol, talvez, um homem estende-se ao Sol.
`A sua volta os outros trabalham. Os que tiveram a sorte de ser escolhidos pelo encarregado das operacoes do porto. Eles carregam. Descarregam. Pesam e empacotam.
Sempre com aquele ar de ocio estampado nos rostos a que ja me habituei a nem reparar.
`Aquele homem sereno, estendido, juntam-se agora dois outros, fardados. Sem mais demoras ou burocracias, pelos bracos e pelas pernas o agarram, e atiram para a parte de tras da carrinha de caixa aberta. So mais um corpo pescado do grande Lago.
Quem e eu nao sei. Ou como la foi parar. Nao sei sequer se quero saber.
E eles carregam. Descarregam. Pesam e empacotam.
Neste dia, inevitavelmente marcado pela morte de dois distintos cavalheiros, achei por bem mencionar mais um que, se a mais nada ou a ninguem interesar, pelo menos a mim me fez por certas coisas em perspectiva.
Esse teu escrito tomou proporções Bocágicas!!!
Começou por descrever uma belíssima paisagem, com ou sem cliche´s, e a acabou na morte.
Não de um, nem de dois, mas de três distintos cavalheiros...
Que horror.
Espero nunca olhar pela janela e ver uma coisa assim!
Rezo por ti todos os dias, mas parece que vou ter de começar a rezar por quem vai ao lago...
Beijinhos
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