No país de Saramago?
Fonte: blogdegelo.blogs.sapo.pt
FERNANDO MADRINHA
Expresso on-line, 1 de Fevereiro de 2005
"No país onde José Saramago situa o seu «Ensaio sobre a Lucidez», há umas eleições autárquicas que terminam com 70 por cento de votos em branco na capital e este resultado é o sinal iniludível de uma ruptura definitiva entre os eleitores e o poder político. Todos os partidos - o Partido da Direita, o Partido do Centro e o Partido da Esquerda - sofrem com a opção de voto da maioria do eleitorado, mas são os dois primeiros, que se alternam no Governo, os mais atingidos.
O polémico livro de Saramago saiu há menos de um ano. E o seu autor não deixou de lhe acrescentar mais polémica ao defender abertamente o voto em branco - em vez do voto nulo ou da abstenção - quando estávamos a cerca de um mês de eleições europeias, logo aquelas que despertam menos interesse aos eleitores. Tratando-se de alguém que nunca escondeu a sua descrença na velha «democracia burguesa» e que, além disso, era candidato pelo PCP, Saramago foi justamente criticado, não pelo livro, mas pela campanha que, a pretexto dele, fez em favor do voto em branco, lida menos como um alerta e mais como um contributo para dar cabo da tal «democracia burguesa». O Nobel português nunca se distanciou um milímetro da tese da sua ficção, justificando indirectamente o título de «ensaio» para uma alegoria. Como que a dizer, premonitório, que em breve a realidade se aproximaria da ficção.
Quando faltam pouco mais de duas semanas para as legislativas e no fim de uma pré-campanha em que até as preferências de «colos» foram tema para um candidato da primeira linha e chefe do Governo em exercício, recordar o livro de Saramago é cada vez menos despropositado. Muitos portugueses que se situam no tal centro que decide eleições e já votaram quer no PS, quer no PSD, não sabem o que fazer desta vez perante Sócrates e Santana. E esse sentimento de insatisfação é ainda mais forte quando se fala com eleitores que sempre votaram no PSD e não querem deixar de participar … mas se recusam a votar em Santana.
Não se estranhará, pois, se o partido do voto em branco, que alguém não identificado anda a promover por aí - seja por militância genuína, ou por simples perfídia contra o seu adversário político - cresça bastante nas próximas eleições. E não deixa de ser sintomático que os responsáveis dessa iniciativa, sejam de esquerda ou de direita, entendam que ela renderá mais se o apelo for feito numa linguagem que, pelo que se pode ler no site, está longe de poder considerar-se tipicamente de esquerda. Eles sabem que, de facto, nunca umas eleições empurraram tanto os portugueses do centro direita para o voto em branco, tal como Saramago o defende".
Ora então aqui o casalinho maravilha tem algo a dizer sobre esta matéria. Depois de muita bulha blogueana, para decidir quem é que publicava este texto, lá chegámos ao concenso: publicamo-lo em conjunto.
Mafalda: Eu cá já me decidi. E por mais que digam o contrário, acho mesmo que tenho este direito: mostrar a minha insatisfação. Tenho dito!
Afonso: - respondo à tua pergunta, Ingrid? (mas ainda estou naquelas percentagens que dão os números dos indecisos!!!!)
Surrealista

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